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Manifestações do Amor


Data: 09/04/2008

De forma amável, Deus intervém neste tipo de mundo, e de muitas maneiras, mas especialmente por intermédio de Jesus Cristo, que representa o amor como ninguém jamais o fez, pagado o preço por isso.

Sua crucificação foi a definitiva e mais elevada evidência do amor na terra. "No devido tempo, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios" (Rm 5.6). Nenhuma outra fonte, dentro ou fora das religiões, chegou ao menos perto da demonstração de amor feita por Deus em Cristo.

Esse é o primeiro "movimento" do amor no processo redentor. "Ele nos amou primeiro" (1 Jo 4.19). Logo, "O amor procede de Deus" (1 Jo 4.7). "Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo de a sua vida por nós" (1 Jo 3.16). Os outros amores devem ser medidos por esse padrão (At 17.31).


Quando então recebemos o que é completamente dado -- a revelação do amor de Deus em Cristo --, isso, por sua vez, torna possível que amemos. É Jesus quem desperta o amor em nós. Sentimos o chamado dele: primeiro para amá-lo, e também a Deus. Assim o primeiro grande mandamento, amar a Deus com todo o nosso ser, pode ser cumprido em razão da graça de Deus oferecida em Cristo. Esse é o segundo movimento para o retorno ao amor: "Nós amamos, porque ele primeiro nos amou".

Mas o segundo movimento é inseparável do terceiro: nosso amor pelos outros que amam a Deus. "Se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós" (1 Jo 4.12). O primeiro grande mandamento torna possível cumprir o segundo: amar ao próximo como a si mesmo.

E amar os outros sob Deus assegurará que somos amados pelos outros. Pois, para estes em nossa comunidade de amor, nós somos o "outro" a quem amam porque eles amam a Deus e são amados por ele. A comunhão dos aprendizes de Cristo no reino vivo é uma comunidade de amor (Jo 13.34-35). Esse é o quarto movimento no processo redentor.

Temos, então, a descrição completa dos movimentos do amor em nossa vida: somos amados por Deus, que é amor; em troca, nós o amamos e a outros por sua mediação, os quais por sua vez nos amam através da mesma mediação. Assim é o amor aperfeiçoado ou completado. E "o perfeito amor expulsa o medo" (1 Jo 4.18). Em outras palavras, os que vivem para cumprir o amor remissor de Deus na vida não terão mais medo. "Medo envolve tormento", João observa, e o tormento é incompatível com o viver no ciclo completo do amor (1 Jo 4.18). Vivemos na comunidade da benevolência de um Deus idôneo.

Ora, como Agostinho observou há muito tempo, o oposto do amor é o orgulho. O amor elimina o orgulho porque querer o bem do outro anula nossa presunção arrogante de que deveríamos buscar nosso caminho. Devemos nos interessar pelo bem dos outros, seguros de que o nosso bem é cuidar sem obstinação. Dessa maneira, o orgulho, o medo e seu terrível fruto deixam de reger nossa vida quando o amor se torna completo em nós.

Dallas Willard, A Renovação do Coração, p. 158-159


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